terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Consumismo e ostentação

 Já é sabido que o consumismo e a ostentação são temas bem presentes no nosso dia a dia. As pessoas gostam de ostentar bens materiais e roupas de marcas caras, não comprando só aquilo que é realmente necessário, mas também aquilo que traz "status". Há uma incorreta avaliação das pessoas na sociedade atual. As pessoas são avaliadas por aquilo que têm, havendo assim uma inversão de valores, pois, há preferência pelo que a pessoa tem, ao invés do que as pessoas são.

“Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção directa a desvalorização do mundo dos homens” (Marx, 1993, p.159)[1]

Muitas vezes são feitas compras desnecessárias e fora das possibilidades financeiras, faltando depois dinheiro para bens essenciais e para pagar as contas. No entanto, a necessidade de exibir o luxo e mostrar nas redes sociais veio alterar as prioridades. Assim toda essa ostentação enfatiza uma falsa realidade.

As pessoas, ao ostentarem, tem uma falsa sensação de satisfação pessoal e sentem-se superiores, pois as classes sociais são definidas de acordo com o poder de compra. Isto traz problemas monetários graves para as famílias que cedem ao impulso de comprar bens sem ter condições para isso, o que cria uma certa disputa entre os cidadãos fazendo estes consumirem ainda mais para mostrarem que tem mais que o outro.

As redes sociais tiveram um forte peso no consumismo e na ostentação uma vez que permitem que mais pessoas consigam visualizar o que alguém quer ostentar.

Este é um problema muito presente na sociedade atual e traz consequências, pois os indivíduos são influenciados pelos padrões de vida que se veem todos os dias quer seja nas redes sociais, em revistas, na televisão, nas publicidades que se veem nas ruas, etc. As pessoas procuram assim ser felizes através da aquisição de bens e do seguimento de estereótipos, trabalhando apenas para conseguir ganhar dinheiro para comprar bens que irão ostentar, e não como realização e objetivo pessoal.

 

 

 

[1] Karl Marx (1993) «O Trabalho Alienado» in Manuscritos Económico Filosóficos. Lisboa: Ed. 70.