O Campeonato do Mundo de 2022 disputado no Qatar teve início dia 20 de novembro, mas decorreram 12 anos de preparação e controvérsias que tornaram este mundial o mais polémico até a data.
Uma competição
que dá que falar, desde desrespeito a direitos humanos, intolerância à
comunidade LGBTQ+, a alegada corrupção que levou à eleição deste país para ser
organizador da prova e às 6750 mortes decorrentes da construção dos estádios.
Os trabalhadores
responsáveis pela construção do estádio “Khalifa Stadium”, e das instalações desportivas
conhecidas por “Aspire Zone” são maioritariamente imigrantes de Bangladesh, Índia
e Nepal. Estes foram explorados de várias maneiras: Procuraram emprego no Qatar
numa tentativa de fugir da pobreza dos seus países, chegando a pagar
quantidades absurdas de taxas de recrutamento; Se arranjaram trabalho, tiveram
de viver em acomodações com pouco espaço, sujas e inseguras; Os recrutadores mentiam
em relação aos salários (os trabalhadores ganhavam metade do que lhes era prometido,
cerca de 180€, ou seja, menos de ¼ do salário mínimo português); Os trabalhadores
afirmam também que os salários chegavam atrasados deixando-os impossibilitados
de sustentar as suas famílias; Alguns empregadores não forneciam autorizações
de residência, embora este documento seja obrigatório pela lei do Qatar. Este documento
mostra que os empregados podem viver e trabalhar no país anfitrião, estes sentiam
medo de serem presos ou multados se saírem do seu local de trabalho; Os empregados
alegam também que os empregadores confiscavam os seus passaportes para que a saída
do país de forma legal se tornasse impossível. Para os trabalhadores poderem
sair do país tinham de solicitar uma “permissão de saída” à companhia para a
qual trabalhavam. Os empregados que faziam pedidos eram no melhor caso ignorados,
ou, no pior caso, ameaçados; Existem, por último, empresas que forçavam os empregados
a trabalhar. Os que se recusavam eram ameaçados com redução do seu salário ou seriam
entregues à polícia para serem deportados sem receber o dinheiro que lhe é devido.
A eleição do
Qatar como país anfitrião provém de corrupção, de puro interesse económico. Os responsáveis
por esta decisão mostram-se preocupar mais com o negócio no qual saiam a ganhar
do que nas consequências das suas decisões. Estas foram tomadas por pessoas que
sabiam que o Qatar não possuía estádios nem condições para suportar o maior
evento desportivo a seguir aos jogos olímpicos. Os autores apresentam comportamento
que comprovam as palavras de Marx “[…] a valorização do mundo das coisas aumenta
em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens.” [1]
Sabendo a
informação relatada, pessoalmente, torna-se difícil conseguir ver os jogos abstendo-me
das diversas controvérsias que rodeiam a competição. Principalmente a forma como
os trabalhadores são vistos como meras máquinas, como são explorados e como as
grandes organizações mostram completo desprezo pelos direitos fundamentais e
dignidade humana.
[1] Karl Marx (1993) «O Trabalho Alienado» in Manuscritos
Económico Filosóficos. Lisboa: Ed. 70