segunda-feira, 10 de novembro de 2025

 Movimentos contra sistema e/ou revolucionários que são apropriados pela produção de filmes e transformados em modas.

  • Movimentos de ideologia de género, e a revolta contra a exclusão de certos grupos étnicos e comunidades desfavorecidas.


O que, à primeira vista, pode parecer um passo correto da indústria de streaming, Netflix e outros serviços estadunidenses, é uma das mais descaradas tentativas de estes se manterem relevantes.

Se hoje assistir a uma série original da Netflix, deparar-me-ei com um cenário extremamente distópico. Sem sequer mencionar a fraca, senão inútil, construção de narrativa e mundos virtuais, questiono-me, e a quem estiver a ler, qual será a relevância de não só criar, mas de relevar as diferenças de géneros e/ou orientações sexuais de tantas personagens, fazendo disso a sua característica mais relevante. Por exemplo, a sexualidade do Carlinhos em Rabo de Peixe que parece ser o único aspeto importante do mesmo a cada vez que ele aparece em cena. Este fator causa mais ou menos o mesmo efeito de produções de filmes que inserem cenas sexuais, porque sabem que irão captar a atenção do espectador, não tendo qualquer relevância na história.

Outro aspecto é a alteração étnica de certas personagens, originais de livros ou jogos. Lembro-me de quando saiu a última adaptação para live action da Branca de Neve, este ano. Apesar de a maioria dos brancos não serem brancos como a neve, é estranho colocarem uma atriz que não é de todo branca a desempenhar o papel principal, especialmente quando Branca de neve, nome da história, se refere diretamente à cor da pele da personagem principal.

   Atenção, não estou de todo a desmerecer a importância que é explorar e conversar sobre certos tópicos, nem a negar que exista um preconceito e ideologias racistas quando associamos a pureza e inocência à cor da pele, como é feito na Branca de Neve, mas há que saber fazê-lo, onde, e quando. 

O objetivo de quem toma decisões destas não é de todo abordar as problemáticas atuais. É manter-se relevante na indústria e, se conseguir, levar grupos racistas ou homofóbicos a revoltarem-se contra os movimentos em si, contra as novas ideias, sem se aperceberem de que foram levados a isso pelo sistema cinematográfico que apropria, gasta e abusa de movimentos aparentemente positivos.


Não há necessidade de a Branca de Neve mudar de etnia pelo simples facto de que é possível e muito mais representativo criar uma história acerca de uma personagem diferente, num ambiente diferente, com hábitos e interações diferentes.

Apesar da atual globalização e de encontrarmos diversas etnias em diferentes partes do mundo, todos ainda carregamos parte de uma certa cultura, e seria insultuoso assumir que a personalidade, as relações, os ideais de uma personagem se aplicariam a todas as etnias do mundo, e sequer, a todas as pessoas individuais.