Uma ideologia jamais desaparece, apenas muda os seus meios atuantes. Com eleições para Presidente nos Estados Unidos da América realizadas neste mesmo ano, Donald Trump ascende outra vez ao poder pela segunda vez, e com ele o "Make America Great Again” (MAGA), um movimento sócio-político de extrema-direita que procura “fazer a América grandiosa outra vez”. Em comunhão com o Presidente, órgãos governamentais como o Departamento da Guerra (antes Departamento de Defesa) e a própria Casa Branca estão a publicar em suas redes sociais diversos vídeos e imagens, na sua maioria produzidos por Inteligência Artificial, do atual Presidente em situações de glória, como ser retratado como “rei” (tal vídeo e cenário implicou a criação de movimentos e manifestações com o slogan “NO KINGS") ou em situações de deboche, como em um vídeo publicado há aproximadamente um mês em que o mesmo aparece em um avião do tipo caça a “bombardear” protestantes do movimento anteriormente mencionado com fezes. O uso de IA generativa (Inteligência Artificial) é crucial para que isto se torne possível, sendo a produção dos “conteúdos" em larga escala e sem custo monetário para o governo.
A fim de conquistar maior poder e atenção da população, MAGA direciona-se para um novo público: jovens e crianças, os quais, curiosamente, têm total acesso às plataformas digitais e não possuem qualquer acompanhamento dos pais. Com postagens sensacionalistas acompanhadas de músicas top hits e gírias, MAGA agora transmite os seus ideais nacionalistas, racistas e xenófobos aos mais influenciáveis; o segredo é simples: ironia e obviedade, isto é, "é claro que aquilo tudo é absurdo, quem acreditaria nessa propaganda de guerra tão descarada?”. Louis Althusser em "Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado” escreve: "É de facto uma peculiaridade da ideologia ela impor (sem parecer fazê-lo uma vez que são ‘obviedades’) a obviedade como obviedade, que nós não podemos deixar de reconhecer e perante a qual temos a reacção natural e inevitável de gritar (alto ou na ‘muda voz da consciência’): ‘Isso é óbvio! Isso é claro! Isso é verdade!’”, entretanto, aquilo que o Governo procura não é fazer óbvio a realidade, mas claras mentiras. A “ironização” é agora uma peça-chave no grande jogo político, simplificar ideias em “micro-ideais”, chamar-lhes “piada” e apresentá-los a jovens em um formato de vídeo “épico” partilhados por milhares; outra vez, óbvio, mas eficaz, uma vez que retiramos a carga que a mensagem carrega, mas jamais a mensagem em si. Além do processo de “ironização” e foco em jovens, diversos apoiantes do movimento, em alguns casos até mesmo detentores de cargos políticos, têm compartilhado em plataformas como Tik Tok e Instagram conteúdos audiovisuais produzidos por IAs contendo explícita propaganda de guerra, todavia, a mesma é representada através de “animações” cartunescas e frases que glorificam e justificam essas ações; aponta-se também, que durante o processo de posse do Presidente Tump, dois especialistas em História do Facismo deliberadamente abandonaram o país, exclamando em alerta que o país estaria em rumo à um regime completamente antidemocrático, o que, infelizmente, se verifica atualmente.