Na cultura visual digital, o corpo feminino ocupa um lugar central, especialmente nas redes sociais. A auto-representação tornou-se uma prática quotidiana, onde a imagem do corpo funciona simultaneamente como expressão pessoal e objeto de avaliação pública. Esta visibilidade constante levanta questões sobre poder, identidade e controlo.
Simone de Beauvoir afirma que a mulher é uma construção social, ideia que permanece relevante no contexto digital. Apesar da aparente liberdade de auto-representação, os corpos femininos continuam a ser moldados por padrões estéticos e normas de género historicamente construídas, amplamente reproduzidas nas plataformas digitais.
Michel Foucault contribui para esta análise ao demonstrar como o poder atua através do corpo. Em História da Sexualidade, o autor explica que os discursos produzem comportamentos e subjetividades. Nas redes sociais, algoritmos e políticas de visibilidade regulam o que pode ser mostrado, funcionando como formas contemporâneas de controlo.
Em Vigiar e Punir, Foucault descreve a vigilância como um mecanismo internalizado. No espaço digital, esta lógica manifesta-se na auto-regulação do corpo, através de filtros, poses e enquadramentos. Louis Althusser ajuda a compreender este processo ao explicar como a ideologia interpela os sujeitos, levando-os a reproduzir normas de forma aparentemente voluntária.
No entanto, como propõe John Fiske, existem também práticas de resistência dentro da cultura visual. Movimentos como o body positivity mostram que a imagem pode ser usada de forma crítica, ainda que estas possibilidades não sejam iguais para todos os corpos. O corpo feminino digital revela-se, assim, como um espaço de tensão entre controlo e emancipação