terça-feira, 4 de dezembro de 2018
"O melhor de..."
Nesta altura do ano saem inúmeras listas e artigos sobre o melhor que se produziu no ano, com. Títulos como "melhor de 2018","melhores carros", "melhores livros/filmes/espectáculos...", "melhores momentos televisivos". Desde comércio, cultura, notícias. Contudo a palavra cultura segundo teoristas (como Terry Eagleton, por exemplo) reflecte todos estes aspectos e não só os artísticos, todo um 'modo de vida'.
Neste texto penso maioritariamente em objectos artísticos:filmes, livros, álbuns, espectáculos, etc.
Se uma pessoa segue a actualidade cultural com um mínimo de curiosidade, pode ter alguns dos pensamentos e sensações que a seguir descrevo, não apenas uma das, mas todas em maior ou menor grau: 1) agrado por rever alguns dos objectos que lhe despertaram interesse, serem reconhecidos por outras pessoas, 2) surpresa ou desagrado por alguns dos objectos serem preteridos em relação a outros que possivelmente o leitor nem ouviu falar, 3) questionar-se como é que os críticos decidem a relevância de determinados objectos, com tão pouca distância e objectividade temporal.
A terceira hipótese merece alguma atenção. Quem nos diz que a grande sensação literária do ano sobreviverá ao teste do tempo? Porquê esta audácia relutante de condensar um ano numa lista? Não só satisfaz ânsias de críticos, apreciadores, como de publicações, visto a tamanha proliferação do modelo.
Talvez só daqui uns 50 ou 100 anos saberemos talvez com distância quais os objectos relevantes para a época. Seria interessante cruzar esse conhecimento do futuro com as listas do passado.
Entretanto, somos criaturas dos nossos tempos e não podemos deixar de notar o que marca a actualidade e condensar nestas listas apra melhor fazermos sentido do que andamos a viver. Queremos saber o que lêem/vêem/ouvem os outros e cruzar com as nossas referências. E eu acho isso admirável e uma forma de continuar a promover a discussão sobre fenones, objectos e o tempo que nos rodeia e engloba.