Quando era bastante mais jovem e expressava as minhas
emoções e pensamentos utilizando o meu modo como me apresentava usando a minha
roupa era titulada de várias coisas tal como estranha, drogada, má pessoa,
alguém em quem não podemos confiar e outras variadas ofensas que até hoje sinto
uma certa dificuldade em pronunciar.
Quando ouvia um estilo musical considerado “diferente”
era posta de lado, vista como alguém sem gosto e morais e até mesmo, por vezes,
chamada de satanista.
Quando demonstrava a minha personalidade era chamada
de anormal, bizarra e considerada alguém solitária que utilizava as minhas
diferenças para tentar chamar atenção para mim mesma.
No presente continuo a ser a mesma pessoa que sempre
fui, com os mesmos gostos, modo de vestir e expressar, mas sou vista de um modo
completamente diferente e não consigo de questionar o motivo disto. Isto acontece
não apenas comigo, mas sim com todos que antigamente eram vistos como os
anormais.
Então porque esta mudança de pensamento?
Posso considerar que este fenómeno ocorre de diversas
maneiras e feitios, mas acredito que a origem desta mudança ocorreu devido a ficção.
Nos dias de hoje personagens fictícios como a família Addams
e Eddie Munson foram o catalisador desta mudança repentina de pensamento. Estas
personagens aparecem nos nossos ecrãs de um modo semelhante a mim e outras pessoas
e somos considerados “alternativos”. No mundo da ficção este modo de ser é representado
confiante, onde estas personagens abraçam as suas diferenças sem sentir
qualquer medo do pensamento do próximo, até mesmo orgulhosas das suas
diferenças. Mas, ao contrário do mundo real, essas personagens começaram a
ganhar uma grande popularidade e até são mesmo idealizadas por muitos, ou seja,
o que antigamente tornava pessoas como eu estranhas agora transforma-nos em
representações reais do amor que as audiências desses programas sentem pelas
personagens em si.
Mas apesar deste fenómeno parecer bastante positivo,
tem também efeitos negativos, pessoas diferentes da norma passam a ser
intituladas de um Addams ou um Eddie, o que causa uma grande perda de
individualidade, e com isto somos quase como fetichizados pelo nosso modo de
existir. Algo que posteriormente nos trazia conforto passa novamente a ser
atirado nas nossas caras, este género de fetichização chega também a um extremo
completamente oposto, onde o amor por estas personagens fictícias é tão grande
que somos novamente intitulados de estranhos por não pertencer a um certo
padrão de beleza que repentinamente aparece e começa quase como a ser exigido.
A nossa individualidade ou é completamente arrancada
ou somos novamente criticados por não existirmos e nos apresentarmos tal e qual
como personagens de um mundo fictício.