Hoje, mais do que nunca, o ser humano encontra-se perdido e dividido entre a sua falta, mas também abundância de tempo. Tem-se vindo a perder drasticamente aquilo a que chamamos linearidade, que para mim, traduz-se na expressão "levar as coisas com calma".
Nunca fomos tão consumidores como agora e isso traduz-se tanto na rapidez como o fazemos, como na rapidez com que descartamos o que foi feito. Deste modo, a nossa cabeça está constantemente a mil à hora. Ora pensamos naquilo que acabámos de fazer, como de repente estamos a pensar naquilo que vamos fazer e, entretanto, temos demasiados pensamentos para uma só mente num instante.
Sinto-me regularmente estrangulada pela falta de tempo que tenho e consequentemente angustiada pela forma como o gasto. Como pessoa e artista, todos os dias penso "Cria conteúdo para um portfólio", "Vai ver exposições para ganhares cultura e conhecimento na tua área'', ''Lê mais'', "Vê mais filmes com maior valor cultural e artístico'', "Faz um CV'', "Faz os projetos para a faculdade", "Mantém a tua vida social", "Tira tempo para a tua família". Já não consigo pensar em cada uma destas atividades como um prazer meu, mas sim como uma obrigação e uma tarefa que quero cumprir para lhe por um visto e ver-me livre dela. Isto tira toda a essência de viver. Por vezes queria aproveitar cada uma destas atividades sabendo que tenho tempo para elas começarem, durarem e acabarem, no entanto, encontro-me mais uma vez num beco sem tempo e acabo por fazê-las à pressa, tornando-as assim completamente sem essência ou conteúdo.
Mas quem diz que eu não conseguia fazer tudo isto e aproveitar na mesma cada uma destas coisas sem me sentir asfixiada por falta de tempo? A verdade é que conseguia, e é aí que se levanta o problema do consumismo rápido e descartável. Os produtos que consumimos são cada vez mais pequenos, fáceis, interativos e rápidos para que, se nos fartarmos deles, é só passar à frente e experimentar o a seguir, e o a seguir, e o a seguir,... Desta forma damos por nós completamente viciados seja no que for, desde Fast food a vídeos de 10 segundos da Internet, mas que passamos 2 horas do nosso dia a ver.
Graças a este tipo de consumo não saudável, somos ainda indiretamente afetados de outras formas como a falta de energia devido ao sono mal dormido graças ao uso dos Smartphones ou a escassez de nutrientes no nosso corpo devido à nossa alimentação rápida e fácil.
Ao juntarmos todos estes fatores, a nossa produtividade vai diminuindo gradualmente até não conseguirmos fazer nada a não ser culparmo-nos por desperdiçar o nosso tempo e não conseguir aproveitá-lo enquanto somos escravos de uma Fast Life.