Todos os dias uso
a Internet sem falta. Há quem diga que é um vício e um problema das gerações
mais jovens, mas eu não penso assim. Estar separada da rede digital não me faz
mal, nem me deixa com sintomas de privação, no entanto negar a presença e importância
deste mundo virtual é estar cego às mudanças socioculturais.
Com esta presença diária pergunto-me quem sou. Se sou o meu corpo, a minha voz, o meu cheiro, a minha
personalidade. Se isso me define. Será que sou o meu nome ou a minha
fisicalidade? Ou até mesmo a minha personalidade, como eu trato os outros e ajo
num espaço. Sei que isto tudo tem importância numa sociedade criada à base de
interação e comunicação. Não há volta a dar, faz parte da biologia do ser
humano. Mas pergunto-me o que é que faz ser eu mesma. Qual é o traço ou
característica definitiva na construção da minha essência. Talvez até seja um
conjunto de tudo o que mencionei – ou até mais.
Então e quem sou eu online? Sou mais eu neste mundo digital ou isso é apenas uma imagem falsificada que criei para os outros observarem? É uma imagem daquilo que eu gostaria de ser na vida real? Nas infinitas redes sociais sinto-me mais livre que no mundo real, encontro mais pessoas com os mesmos gostos que eu e partilho aquilo de mim que quero partilhar. Eu não escolhi o meu nome pessoal, mas escolhi o username que utilizo online. Posso explorar sobre inúmeros assuntos sem nunca dar a cara – nem ser julgada. Ser alguém completamente distinta de mim, mas com quem me identifique mais, é fácil. É fácil divertir-me na internet. É fácil.
No entanto será
que isso corresponde a quem eu sou? As ações todas que faço online – os likes,
tweets, retweets, posts, comments, upvotes, uploads, swipes – fui mesmo eu que
as fiz? A imagem que partilho de mim nas redes sociais é quem eu realmente sou?
Não sei. Tudo o que examino e publico é partilhado por mim como um filtro
pré-publicação. Sou a editora de mim mesma. Na vida real isto não existe. Controlo
as minhas ações, mas há um limite daquilo que consigo fazer. A perceção que as
pessoas têm de mim está geralmente fora do meu controlo.
Penso que eu sou eu que fala presencialmente nas aulas e eu sou eu que escreve
aqui estas palavras num blog digital. Nenhum é mais que o outro. Cada faceta
revela coisas diferentes de mim, oferecendo-me condicionantes especiais para
tal acontecer. Talvez um dia a nossa tridimensionalidade deixe de existir, tornando-nos
seres omnipresentes digitais. Não sei se mesmo aí vou considerar isso como
sendo puramente eu.