Hoje em dia o Homem encontra-se numa posição de pressão em relação ao trabalho. Os que priorizam o gosto, vontade, paixão aquando das decisões relacionadas com o trabalho infelizmente são a exceção e não a regra, as pessoas pensam: “não gosto de fazer isto, mas dá dinheiro” e é assim definido todo um percurso de vida baseado numa decisão puramente monetária.
Esta visão pode ser
vista como uma consequência da era consumista em que vivemos hoje, sendo que as
pessoas sentem “necessidade” de consumir e comprar e assim torna-se tudo um
jogo à volta de dinheiro.
É muito fácil
olhar para qualquer ambiente de trabalho empresarial e observar uma óbvia materialização
dos trabalhadores pelos seus superiores, pois a nível empresarial é tudo uma
competição por dinheiro e poder, e não há tempo para valorizar os
trabalhadores, que acabam por ser apenas “números” ou “carne para canhão” em
vez de pessoas ou colaboradores valiosos. Isto, apesar de triste é uma
realidade que não vê mudança em grande escala tão cedo, sendo que os próprios
trabalhadores vêm esta situação apenas como um “meio” para um “fim”: ter
dinheiro para alimentar o consumismo.
Na minha própria
experiência acontece este mesmo problema, sinto uma pressão ou necessidade de ter
ou fazer certas coisas, oiço amigos e colegas a dizer “vamos almoçar todos ali!”
e isto despoleta uma necessidade de dinheiro que apenas é preenchida com trabalho.
A partir daqui arranjo um trabalho, recebo um ordenado, para no fim do mês
estar de trocos contados pois gastei uma grande parte em bens materiais e
desnecessárias e assim sucumbi ao consumismo como a maioria das pessoas. Não
gosto do meu trabalho, mas continuo lá porque dá dinheiro (aquela frase típica
que já tinha mencionado), sinto que dentro da minha empresa sou apenas um
número ao invés de ser a minha pessoa: as minhas opiniões não são tidas em
conta, o meu trabalho é facilmente substituível, sou constantemente descartado
pelos meus superiores, e porquê? Porque o dinheiro fala mais alto, as ideias
são caras de executar, postos dificilmente substituíveis são caros de preencher,
e acima de tudo: “mesmo que funcione mal, funciona! Para quê gastar dinheiro a
melhorar?”.
Estas situações
criam um sentimento de inutilidade que diminui ainda mais o gosto das pessoas
pelo trabalho e perpetua este ciclo materialista de “só trabalho aqui pelo
dinheiro”.
Chegámos a um ponto
em que as pessoas se mantêm numa posição desconfortável propositadamente pois
acham que compensa pelo salário ao fim do mês, acham que compensa trabalhar 240
dias por ano pelos 125 de “descanso” que mesmo assim são muitas vezes mal
aproveitados por causa do stress acumulado.
Enfim… É triste mas é esta a realidade que a maioria de nós vive ou vai ainda viver: passando a vida a trabalhar que nem loucos para poder ir jantar a um sítio fino de vez em quando, e aceitando isto como se fosse assim que as coisas deveriam ser para chegar à reforma e lamentar todo o tempo de vida desperdiçado em stress e desconforto a fazer algo que nem gostamos, num sítio que não gostamos, cheio de pessoas que nos são indiferentes. Escravos de um ciclo vicioso do mundo de trabalho numa sociedade materialista.