Publicidades a produtos já fazem parte do nosso quotidiano há séculos, tendo começado no século XVII, onde eram presentes em noticiários em papel. Ao longo dos anos foram evoluindo, tornando-se sempre mais prevalentes, até ao ponto que hoje em dia, parece que não se pode ir a lado nenhum sem encontrar pelo menos uma publicidade algures. Com esta prevalência toda, os efeitos psicológicos da publicidade já se tornaram conhecimento mais comum, até que muitas pessoas se creem “imunes” a estes mesmos. No entanto, estas pessoas acabam por ser ainda mais suscetíveis a publicidade do que pessoas que não pensam ser imunes.
Nos anos 1970, as pessoas eram expostas em média a 500 publicidades por dia.
Hoje em dia esse número subiu para aproximadamente 5000 publicidades por dia. Isto
é porque as empresas sabem que a publicidade funciona. Através de muitos
efeitos psicológicos, a publicidade consegue criar um apego emocional a
produtos, mesmo se os espetadores não se apercebem imediatamente. Mas muitas
pessoas já se aperceberam disto há anos atrás, no entanto, a eficácia destas
publicidades não baixou. Como é possível que, mesmo sabendo os efeitos que a
publicidade pode ter, as pessoas continuam a ser manipuladas por esta mesma?
Em 2005 foi publicado um estudo sobre este fenómeno (Kardes, F. R.) onde
descobriram que, ironicamente, consumidores que acreditam serem imunes a
publicidade acabam por ser mais suscetíveis a esta mesma do que consumidores
que não se acham imunes. Isto é porque quem conhece aproximadamente os efeitos
psicológicos da publicidade e acha-se imune acaba por baixar a guarda contra
estes mesmos. Criam complacência, deixando-se serem manipulados sem se
aperceberem, fazendo com que a publicidade guarde a eficácia. Pelo contrário,
quem não acredita ser imune tem tendência a ter mais cuidado e apercebe-se
melhor quando está a ser influenciado pela publicidade.
A publicidade está cá para ficar pois é demasiado valiosa para a economia para
um dia deixar de existir. O que podemos fazer para mantermos um espírito
crítico é apercebermo-nos dos efeitos desta mesma, e manter em mente que é
quase impossível de resistir completamente à sua influência.
Referências:
Kardes, F. R. (2005). The
Psychology of Advertising. In T. C. Brock & M. C. Green (Eds.), Persuasion:
Psychological insights and perspectives (pp. 281–303). Sage Publications, Inc.