domingo, 18 de dezembro de 2022

Literacia versus democracia

 A escolaridade tem um papel fundamental na criação de cidadãos atentos e interessados, prontos a agir e a recusar-se a ficar calados perante injustiças. O nível de escolaridade tem ligação aos recursos financeiros, sendo que a universidade não é gratuita. Felizmente, em Portugal, já existe nível de escolaridade mínimo obrigatório (12º ano, ou já ter 18 anos de idade) de forma gratuita, o que faz com que os futuros adultos já tenham na sua grande maioria níveis de escolaridade mais elevados. A escolaridade prepara as pessoas para o futuro, para operar no mundo que nos rodeia, sendo preciso garantir que os alunos percebam as possibilidades que tem ao seu redor bem como o que não devem aceitar e o impacto que a democracia, ou mesmo a ausência dela podem causar no mundo, estando prontos a agir e a reivindicar os seus direitos sempre que acharem que estes não estão a ser devidos.

A escolaridade pretende colocar em cada aluno o poder da preservação da democracia e ensinar os cidadãos a distinguir factos de opiniões, de modo a estes não serem facilmente manipulados, visto que, quanto mais conhecimento, mais revolta há sobre as injustiças para que estas deixem de existir. Educar é então desenvolver a autoeficácia da comunidade sobre a resolução dos problemas existentes atualmente, bem como preparar e informar os alunos de modo a saberem como agir e defenderem-se da desinformação.

“Se nós queremos ter cidadãos preparados para o futuro, eles têm que estar informados e, para estarem informados, eles precisam de ter instrumentos que os defendam das armadilhas da desinformação “(Nuno Artur Silva, 2021)[1]

Assim, a literacia é fundamental para que todos os cidadãos possam participar ativamente e de forma informada nos problemas da sociedade.

 “… a ideologia da burguesia mantinha os trabalhadores, ou o proletariado, num estado de falsa consciência.”[2]

Pode-se pensar que, ainda nos tempos que correm, a classe política, que tem poder de legislação, beneficia em ter a população na ignorância, ou seja, com pouca literacia, de modo a não se manifestar e não opinar, havendo deste modo, uma relação com a afirmação anteriormente citada.

 



[1] Nuno Artur Silva (2021) Declarações Agência Lusa

[2] John Fiske (1993) Introdução ao Estudo da Comunicação. Porto. Edições ASA: ISBN 9724111334