Nos dias de hoje, temos tendência a achar que a tecnologia nos ajuda e nos traz mais pontos positivos que negativos, mas será?
Geralmente, percecionamos os povos mais nativos como 'coitados' e associamo-los de imediato à pobreza, à fome e ao subdesenvolvimento. A verdade é que, em termos materialistas, nós 'ganhamos'. Temos as tecnologias mais avançadas, todo o conhecimento e ajuda que precisarmos à distância de um click, podemos ver o que quisermos à hora que quisermos, desde alguém na outra ponta do mundo em tempo real a algo que nem sequer existe mas que nos nossos ecrãs está lá. Mas ganhar no materialismo equivale a ganhar na vida?
As taxas de mortalidade por suicídio revelam-se muito maiores nos povos desenvolvidos do que nos povos nativos. E não só, a qualidade e níveis de vida são incomparáveis, enquanto nós, povos modernos, cada vez mais temos presente na nossa vida diária sinais de depressão e ansiedade e nos sentimos mais desligados uns dos outros devido a estarmos ligados num mundo digital e não aproveitarmos o real, os povos nativos mostram-se satisfeitos com a sua simplicidade e com as suas relações quer seja uns com os outros como com os seus bens, com a natureza, ou espiritualmente.
A nossa sociedade digital baseia-se em coisas irreais e banais. Parece-nos que toda gente está a viver uma vida fantástica já que só se mostram as coisas boas da vida, vimos tudo e toda gente de todo o mundo sem grande esforço, algo que biologicamente não é suposto acontecer. Consequentemente criamos padrões de beleza que tentamos seguir ao máximo e desiludimos-nos porque só os conseguimos seguir de métodos fake desde maquilhagem a alterar digitalmente a nossa imagem, na realidade nunca somos mesmo nós. Isto é uma bola de neve e o mau vai sempre parar ao pior.
A sociedade de um povo nativo foca-se no valor da natureza em conjunto com o valor da vida humana. Concentra-se em ensinar-se aos meus novos o conhecimento aprendido para que este continue de geração em geração, em ensinar o respeito que se deve ter pelo próximo e pelo nosso lar. Uma sociedade que valoriza o real e o que está ou já esteve à sua frente e põe a mão na massa.
Os povos nativos são a prova viva de que menos é mais, e nós a prova viva de que mais é menos. E isto não quer dizer que não haja pontos negativos nas sociedades nativas ou positivos na nossa ou que agora devêssemos comportar-nos como eles, mas começar por refletir e mudar certos comportamentos consumistas e aditivos que temos sem sequer nos apercebermos é algo a ponderar.