segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Natal, a celebração do consumo

Estamos oficialmente na época festiva, que é para muitos, a mais esperada do ano. As ruas estão decoradas com luzes e enfeites, as rádios são invadidas por música natalícia e a televisão segue o mesmo padrão, com anúncios intermináveis carregados de emoção e sentimentalismo que comovem o público que os assiste com mensagens que promovem, à primeira vista, a importância da união familiar e amor tradicionalmente característicos desta festividade.

Este insuportável excesso de felicidade que nos rodeia característico desta época tem um efeito hipnotizante e ilusório. As pessoas ficam distraídas dos verdadeiros problemas que enfrentam diariamente criando, temporariamente, uma falsa realidade que parece perfeita em consequência desta romantização criada pelos media. No entanto, é sabido por quase todos, que o verdadeiro objetivo desta idealização é a promoção do consumismo, quase igualando-o a o único meio para atingir a felicidade que tanto ansiamos conquistar.

Mas é compreensível que associemos consumo a felicidade, visto que sempre fomos instruídos essa ideia. As crianças são, desde sempre, incentivadas a ambicionar por objetos materiais, escrevendo cartas ao pai natal e a folhear os catálogos de brinquedos que tanto sonham adquirir. Os adultos trabalham incansavelmente todo o ano, e anseiam esta época onde o consumo desenfreado é justificado como uma recompensa do seu esforço.

Esta necessidade capitalista está enraizada dentro de nós e apesar de sermos auto conscientes disso, não conseguimos contorná-la assim tão facilmente. Somos constantemente bombardeados com anúncios publicitários cuidadosamente desenvolvidos através de técnicas que usam conceitos da psicologia para alcançar apenas um objetivo, atrair a atenção do público para incentivar a compra. Assim é fácil compreender o motivo de tanta agitação e necessidade de consumo nesta época festiva: Apesar de já existir uma grande tradição de troca de presentes existe também um aumento significativo de publicidade e promoções em comparação com outros meses do ano, visto que o Natal é um grande negócio que lucra em proporções absurdas.

Mas claro, como todas as coisas, há aspetos positivos e negativos. É verdade que esta loucura consumista  apresenta benefícios aos comerciantes e consequentemente ao próprio país e não podemos negar que, apesar de fútil e por vezes desnecessário,  receber ou comprar objetos materiais nos preenche interiormente de alguma forma, mesmo que apenas por um tempo limitado.

Como já referi, toda esta mensagem de esperança e amor, apesar de forçada acaba por anestesiar as pessoas dos problemas e injustiças que enfrentam diariamente. É uma falsa esperança que usam como mecanismo de defesa, preferem viver numa ilusão passageira do que enfrentar a realidade, o que é compreensível, pelo menos a meu ver. No entanto acredito que conseguimos atingir o mesmo efeito sem chegar aos extremos de consumo que vivemos hoje em dia. A compra consciencializada, por exemplo, é muito mais gratificante, a longo prazo, e obriga-nos a analisar se realmente necessitamos do produto ou se apenas temos o desejo de o adquirir por influência externa, para além disso, reduzir o consumo é mais ecológico para o planeta e não compromete o nosso bolso.

É importante ser consciente e mudar para evoluir.