terça-feira, 10 de janeiro de 2023

E se tudo estivesse dentro de um bagel



 O filme Everything Everywhere All At Once(2022), expõe os efeitos da internet sobre a percepção individual e coletiva da realidade e como o estímulo constante de informações afeta a forma como percebemos o mundo. É uma narrativa fantasiosa que não expõe uma representação realista do mundo, porém instiga no espectador um sentimento análogo ao incessante estímulo que recebemos da internet.

  As personagens principais do filme possuem a capacidade de descarregar em si mesmas conhecimentos e habilidades que são úteis no momento em que estão - similar aos filmes da série do Matrix(1999). Isso pode ser visto como uma analogia à forma como muitos de nós nos expressamos online, livremente trocando de personalidade e suposto conhecimento empírico dentro do que demandamos conveniente.

  Em uma cena, uma das personagens principais(Jubu Tupaki) afirma ter tentado colocar tudo dentro de um “bagel” (este sendo uma alegoria para a internet). Para ela, tudo que existe no mundo está inserido neste, e já não tem sentido, porém ela conhece apenas os reflexos destas informações, e para compreender por completo algum conceito, alguém deve estar inserido numa cultura. Isto evidencia a analogia sobre a percepção da realidade no espaço virtual. Um indivíduo online observa outra realidade como a revista matcha, observa as tribos Africanas durante as “aventuras” de Bichon. Ele irá interpretar erroneamente os eventos e contextos de outras pessoas em outros lugares do mundo correlacionando com sua própria experiência empírica. Assim, muitos afirmam perceber muitas culturas e ideologias, porém verdadeiramente conhecê-las requer tê-las vivenciado. A internet apenas tem o poder de nos mostrar uma espécie de fotografia de ideias, mas a ideologia que realmente podemos absorver é a que surge do nosso contexto.