Uma das minhas principais preocupações andou à volta da questão: É possível criar algo completamente novo nos dias de hoje?
Pus-me então à conversa com amigos, também eles artistas. As opiniões foram divergindo um bocadinho, mas no final deu para refletirmos todos um pouco sobre o assunto.
Um dos pontos essenciais nesta conversa foi o facto desta dualidade da criação. Nada é novo porque já existe quase tudo, mas se juntarmos duas coisas existentes, criamos algo novo, só não completamente original.
Tudo isto desperta imensas outras questões pessoais. Como é que é suposto criarmos algo realmente novo, quando, involuntariamente somos bombardeados com mil e uma informações, e que querendo ou não, absorvemos. Quero com isto dizer, através das redes sociais.
Eu própria me deparo todos os dias com este “problema”. Tenho a necessidade de criar, tenho as ideias e os meios para tal, mas até que ponto é que todas estas ideias não são apenas junção de imagens de algo que já conheço?
Vivemos numa era em que a reprodutibilidade está em todo o lado. As imagens, os sons, os vídeos, tudo se multiplica e se repete a uma velocidade impossível de acompanhar. As redes sociais são um enorme arquivo visual (o que pode não ser completamente mau). Isto traz-nos uma sensação estranha, por um lado é inspirador e fomenta o pensamento, ver tanta diversidade e por outro, parece que a originalidade se anula neste excesso de repetição.
Walter Benjamin fala sobre a perda da “aura” da obra de arte com a sua reprodutibilidade técnica. Penso que nos dias de hoje esta ideia ganhe uma nova dimensão. Ao mesmo tempo, esta repetição pode ser vista como uma nova forma de criação. Talvez o “novo” não esteja tanto em inventar algo do zero, mas em encontrar maneiras únicas de reinterpretar o que já existe, de dar novo significado a partir do familiar.
De qualquer das formas, é apenas uma questão que me fez pensar, e para a qual não tenho um juízo concebido. Acredito que na arte é o olhar, o gesto e o contexto que a tornam verdadeiramente autêntica, mesmo neste mundo onde tudo parece já ter sido feito.