sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Arte na era da reprodutividade

Numa outra cadeira neste semestre, foi-nos proposto desenvolver um trabalho, relacionando qualquer assunto do nosso interesse com o olhar estético sobre a arte. Tendo isto em conta, e com o desenvolvimento das aulas foram-me surgindo várias questões acerca da criação artística. Não necessariamente questões novas, mas coisas que me fizeram pensar e querer procurar opinião de terceiros. 

Uma das minhas principais preocupações andou à volta da questão: É possível criar algo completamente novo nos dias de hoje? 


Pus-me então à conversa com amigos, também eles artistas. As opiniões foram divergindo um bocadinho, mas no final deu para refletirmos todos um pouco sobre o assunto. 

Um dos pontos essenciais nesta conversa foi o facto desta dualidade da criação. Nada é novo porque já existe quase tudo, mas se juntarmos duas coisas existentes, criamos algo novo, só não completamente original. 


Tudo isto desperta imensas outras questões pessoais. Como é que é suposto criarmos algo realmente novo, quando, involuntariamente somos bombardeados com mil e uma informações, e que querendo ou não, absorvemos. Quero com isto dizer, através das redes sociais. 

Eu própria me deparo todos os dias com este “problema”. Tenho a necessidade de criar, tenho as ideias e os meios para tal, mas até que ponto é que todas estas ideias não são apenas junção de imagens de algo que já conheço? 

Vivemos numa era em que a reprodutibilidade está em todo o lado. As imagens, os sons, os vídeos, tudo se multiplica e se repete a uma velocidade impossível de acompanhar. As redes sociais são um enorme arquivo visual (o que pode não ser completamente mau). Isto traz-nos uma sensação estranha, por um lado é inspirador e fomenta o pensamento, ver tanta diversidade e por outro, parece que a originalidade se anula neste excesso de repetição.

Walter Benjamin fala sobre a perda da “aura” da obra de arte com a sua reprodutibilidade técnica. Penso que nos dias de hoje esta ideia ganhe uma nova dimensão.  Ao mesmo tempo, esta repetição pode ser vista como uma nova forma de criação. Talvez o “novo” não esteja tanto em inventar algo do zero, mas em encontrar maneiras únicas de reinterpretar o que já existe, de dar novo significado a partir do familiar.

De qualquer das formas, é apenas uma questão que me fez pensar, e para a qual não tenho um juízo concebido. Acredito que na arte é o olhar, o gesto e o contexto que a tornam verdadeiramente autêntica, mesmo neste mundo onde tudo parece já ter sido feito.