Ao longo da história, a imagem da mulher tem sido moldada por ideais
sociais que definem o que é ser bonita e desejável. Esses padrões acabam por
ser sempre construções culturais que refletem e reforçam os valores dominantes
da época, como por exemplo, o patriarcado e o consumismo.
Desde muito novas, somos expostas à ideia de um corpo ideal, perfeito e desejável
– um corpo que, muitas vezes, é visto apenas como um objeto de apreciação
masculina, reduzindo as mulheres apenas à sua aparência. No passado, revistas
como a Seventeen, por exemplo, tiveram um papel fundamental na construção
dessas imagens, principalmente para o público mais jovem.
Com o passar do tempo, a tecnologia transformou os meios, mas não a mensagem. Atualmente, o papel que antes era assumido pelas revistas passou para as redes sociais. Nestas, pessoas publicam fotos e vídeos muitas vezes cuidadosamente planeados e editados, onde se cria uma ilusão de perfeição inalcançável. Esta constante exposição leva a jovens a compararem-se a padrões irreais e, consequentemente, criar sentimentos de insuficiência e baixa autoestima. As redes sociais vieram ainda também a intensificar este problema, uma vez que o conteúdo é constante e personalizado. Isto é, se antes uma revista saía mensalmente, agora o conteúdo é continuo e está disponível a qualquer instante. Para além disso, existem ainda algoritmos nestas plataformas que foram desenvolvidos especificamente para nos alimentar com o tipo de conteúdo que tendemos a procurar, ou seja, quando alguém vê um vídeo sobre uma modelo com o "corpo ideal" mais vídeos desse género irão continuar a aparecer. Até as próprias marcas de beleza beneficiam e contribuem para tal coisa, uma vez que estas fazem parecer que o consumo dos seus produtos é a solução.
Tal como John Fiske já mencionava na sua análise ideológica à revista Seventeen, o capitalismo é um sistema que produz mercadorias, logo fazer com que estas pareçam naturais está na essência da sua prática ideológica. Isto é, aprendemos a compreender os nossos desejos e necessidades de acordo com as mercadorias que são produzidas para nos satisfazer. Apesar disso, é também importante referir que as redes sociais também podem vir a ser usadas de forma positiva, sendo que tal pode ser observado na crescente quantidade de criadores de conteúdo que promovem “body positivity” e amor próprio.
Assim sendo, a análise ideológica de John Fiske continua a ser pertinente
atualmente pois explora como a cultura da beleza serve os interesses do sistema
capitalista, produzindo desejos e inseguranças que estimulam o consumo.