Opinião política dos adolescentes e a influência das redes sociais
Comecei agora a ter aulas de inglês com adolescentes de 15 anos. Não achei que houvesse tanto choque de gerações, até porque não temos uma grande diferença de idade. Na semana passada tive um debate sobre a pena de morte, não foi um debate extenso e rapidamente se tornou redundante devido à falta de argumentação por parte dos meus colegas. Quando acabou o debate tive uma conversa com o meu professor, que me fez pensar sobre o novo modo com que os adolescentes se afiliam à política.
Tenho notado, agora que tenho contacto direto com esta faixa etária, que as opiniões no geral são fortes mas não contém muito fundamento ou capacidade de argumentação. São opiniões convictas, mas que facilmente se desfazem com a pergunta “Porquê?”. São opiniões que agradam a generalidade, mas não consigo deixar de acreditar que estas foram “semeadas” pelas redes sociais e não desenvolvidas com consciência e espírito crítico.
É óbvio que as redes sociais podem ser um espaço para a fundamentação e formação da opinião política. Na vida dos adolescentes este pode ser o primeiro contacto com a política, assim como também foi o meu, mas a falta de informação e a facilidade com que acreditam no que passa nos pequenos ecrãs, põe em risco a nossa sociedade. Por um lado, temos uma consciencialização do que se passa nos outros cantos do mundo, mas por outro temos uma opinião generalizada que agrada as massas e aqueles com quem partilham o mesmo algoritmo.
As novas opiniões são produzidas como se fossem objetos em massa. Apesar de terem vidas, gostos, hobbies, ambientes familiares e realidades sociais diferentes, acabam por partilhar a mesma opinião e a mesma falta de argumentação sobre a mesma. Parece que está na moda ser alienado…
A longo prazo tornar-se-á um grande problema na nossa sociedade, passaremos a ter sociedades que votam naquilo que um vídeo de 15 segundos no Tiktok diz ser o mais correto, e não numa opinião que desenvolveram sobre o que será melhor e que fará um impacto mais positivo no mundo. Por um lado sei que ainda não têm idade para votar, mas a maneira como estes “bichinhos” se entranham nas suas cabeças e na sua consciência, dificilmente se extinguirão.