Numa última composição sobre o impacto das redes sociais na nossa cultura, irei falar sobre uma das formas de expressão mais frequentemente utilizadas no meio digital, os memes.
A um nível superficial, um meme consegue não passar de um comentário ou uma imagem tirada de contexto, ou propositadamente absurda, nada mais que um meio para causar gargalhada. No entanto, o oposto é igualmente verídico, talvez até mais comum. O meme constitui uma ferramenta de expressão muito complexa, tanto a nível pessoal como a nível político, que faz parte do quotidiano dos jovens, utilizando a ironia e o humor como veículos para comentar sobre situações politicas, sociais ou culturais. Do ponto de vista desta UC, o meme pode ser visto como um sistema de signos. Os memes frequentemente fazem referência a filmes, séries e outras formas de media, para reforçar a ideia a ser expressa. O seu significado depende do contexto em que está inserido, e das referências que estão a ser feitas. Com isto, para entender e poder analisar um meme, é preciso partilhar referências comuns, reforçando a ideia de comunidade, e tornando-o uma ferramenta de expressão coletiva.
A eficácia do meme como forma de autoexpressão deve-se a vários fatores, sobretudo à sua simplicidade. A sua simplicidade permite apresentar uma ideia ou critica de maneira que seja imediatamente reconhecido e entendido pelo público, sendo mais acessível que outras formas de argumentação ou reflexão. Todavia, apesar da sua evidente simplicidade, memes ainda podem transmitir mensagens complexas e profundas, sendo ás vezes mais eficazes do que discursos longos.